Após Penha, algumas reflexões foram feitas em caráter de EMERGÊNCIA.
Se você tem paciência, segura na minha mão, faz o sinal da cruz e vem comigo! (créditos Katylene).
Sou super apaixonada por esportes, daquela que assiste tudo, luta, x-games, olimpíada de inverno, de verão, tênis, alpinismo, aquele campeonato dos fortões puxando caminhão, etc.
Pratico esporte há um bom tempo, tenho um estilo de vida esportivo, e me beneficio de alguma forma disto. De muitas formas. Mas não tenho o compromisso que um atleta tem com performance. No meu caso, porque EU NÃO TENHO PERFORMANCE , mesmo treinando direitinho!! Explico. Não tenho aquele talento físico, aquele tchans natural, caixa e lata, para ser uma atleta de performance, que vai brigar pelos primeiros lugares, mesmo no amador.
Ah, e sem pudores: adoraria ter.
Há quatro anos, descobri o triathlon. Que lindo. Mesmo.
Gosto de treinar, tenho disciplinada e persistência. Não me intimido com desafios, sempre parto do princípio de que posso fazer as coisas, de que sou capaz. O triathlon é gentil e amável com aqueles que têm estas características (ou querem desenvolvê-las). Parece meeega difícil, mas não é. E eu falo isto para todo mundo. Mas tem que gostar de treinar... e o mais importante, treinar (tipo, FAZER os treinos).
Sou competitiva, não tenho vergonha de dizer que AMO ganhar. Amo quando a pessoa, o time para quem estou torcendo, ganha. Amo ganhar no dominó. Amo quando meu trabalho (profissional) se destaca e é reconhecido. No começo da minha jornada triatlética, eu ficava muito decepcionada quando chegava por último. Foi uma espécie de choque – “poxa, estou treinando direito, como posso ir tão mal?”. Até eu entender que aquela lei da física também valia aqui (vc é rápida? depende do referencial), e que para mim as coisas seriam mais difíceis... eu não tinha referência. Eu tentei, tentei e tentei. Até eu vestir as sandálias da humildade, levou quase um ano.
O que me salvou de ter virado uma mala sem alça (assim imagino), ou de ter desistido, é que minha autoestima é (quase) inabalável. Não sou auto-suficiente, mas minha atração pelas missões aparentemente impossíveis vem do fato de que eu (penso que) posso tudo, até que se prove o contrário. Eu ainda acho que posso ser uma boa triatleta. Se não der... ok também, isto não tira meu valor nem tudo que eu ganhei tentando, desde que eu não venda minha alma ao diabo (ave Maria cheia de graça... não existe café de graça!!!).
Não tem aquele conto que diz que o importante é o caminho? Adianta ter “sucesso” se você fode o caminho?
Hoje em dia, treino com a mesma vontade do início. Mas alguma coisa mudou. Naturalmente mudou. Ainda me decepciono quando vou mal, mas na maior parte das vezes estou comemorando cada minuto ganho. Se não é fácil ganhar minutos, para mim é muito difícil. Comemoro cada treino feito. É um saudável fazer o que gosta (hobby) trabalhando das 8 às 19hs. Já identifico melhor os motivos que fazem as coisas não irem bem, e ter consciência é o maior barato!!! (consciência corporal é o maior barato).
Eu já tinha indícios, já estava neste caminho. Só que agora, depois de Penha, ficou muito claro. Eu sou uma pessoa melhor do que eu era quando comecei, mais humilde e consciente. Talvez eu não possa fazer um super tempo. Mesmo assim, minha jornada é alegre. Este blog me ajudou nisto tudo. Eu brinco de ser atleta. Eu valorizo muito o trabalho, as vitórias e derrotas de um atleta de verdade.
Talvez por isto, eu não tenha me sentido muito parte do evento, da prova (Penha). Engraçado, acho que este post é sobre isto. Parênteses: 20 parágrafos depois, eu descubro que este post é uma espécie de mea culpa por não ter achado fazer uma prova 70.3 IronMan assim.... grande coisa.
Eu gostei da prova, valeu mesmo. Mas meu ponto é: nosso esporte é muito ROCK´N ROLL. Só que eu estava lá em Penha e achei tudo BOSSA NOVA, meio blasé. Nada contra, mas desconecto.
Ok, talvez seja só blá blá blá. Talvez seja eu, então. Talvez eu não pertença mesmo.
Hoje, na internet, estão rolando várias discussões sobre vácuo, sobre ter ou não equipamentos, doping. Verdadeiras críticas ao que este esporte virou. Seria um movimento de resgate ao que o esporte (IM) era? Sempre competitivo, provavelmente com casos de doping, porém mais roots, primitivo, instintivo, divertido.... tipo “quem é o mais louco nesta p#@%, quem faz os treinos mais insanos, quem arrisca mais”.
Sinceramente, estou mexida. Quero estar atenta aos meus próximos passos dentro do triathlon. Quero me certificar de que cada treino, cada competição, de que tudo isso fará de mim uma pessoa melhor, uma pessoa contente, menos careta. Já tenho planos, quero me divertir mais e mais e mais... e vou fazer direitinho a conta, não vou bobear.
Meu talento é outro, o que não me impede de praticar MUITO esporte, de me testar, me jogar numas roubadas e fazer coisas muito legais. Quem sabe eu até fique boa? Eu quero é rock.
PS nada a ver: o rock morreu, renasceu, morreu de novo, viveu e assim ele vai seguindo seu ciclo, se reinventando. E este rock nacional de hoje está gritando “Por favor, me dê um tiro de 13!!!”. Isto não tem nada a ver com a época, idade... tem a ver com as pessoas, com o que elas valorizam e sentem. Este final de semana, assisti “Homem do Futuro” e descobri, depois de 15 anos, que gosto de Legião Urbana. Eu já gostei de Legião, meu pai ouvia quando eu era criança, e me lembro de perguntar pra ele, no banco de trás do carro, o que significava “não sou mais tão criança ao ponto de saber tudo”. Ele me explicou que era bobagem achar que adulto sabia de tudo. Legião existiu, morreu e voltou a existir agora. Passei a semana toda pensando em triathlon e cantando “Somos tão jovens!”.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
70.3 PENHA 2011
“Uma grama de ação vale mais do que uma tonelada de teoria” - Friedrich Engels
“Para saber se a água de um balde está quente ou fria, deve-se meter a mão no balde. De nada servirá a discussão, por mais brilhante que possa ser” – Sabedoria Zen
Planejamento
Olha a diferença entre o pensamento oriental e ocidental.
Um mais voltado para mensurações, o tangível, e o outro mais zen...
Eu, aos 45 do segundo tempo, fiz meu planejamento de prova, de tempos, de alimentação, de viagem. E mais... planejei o depois. Sim sim, eu ia parar, mas ganhei uma curta carência e fecharei 2012 triatlética, cheia de planos e provas.
Caderneta
Eu amo cadernos, caderninhos e afins. Adoro escrever à lápis (não que isso tenha alguma coisa a ver...). Para Pira, eu comprei um especial e lá anotei tudo o que tinha que fazer, de quanto em quanto tempo comer, o que fazer 2 dias antes, etc. E foi o que foi. Por curiosidade, quantifiquei (tb amo estatística, principalmente aquelas que não indicam nada, preciso parar com isto antes mesmo de deixar de treinar, pois isso sim vai me deixar louca) e pasmem.... 45% saiu de acordo com o planejado. Ok, várias justificativas para defender o planejamento, realmente ocorreram imprevistos graves na bike e a corrida foi.... hum... difícil (hehe).
Para Penha, fiz uma tosca planilha de Excel. Faltou glamour e tempo. Em compensação, mais experiente, desenhei 3 cenários: o Paraíso, o Realista, o Aceitável.
Qualidade e Bem Estar
Tenho a sensação de que treinei menos e com mais qualidade. “Treinei menos” é heresia, talvez “descansei mais” seja o termo adequado. Tirando as dores e a quebradeira normal de treino, não tive problemas na minha preparação (como tive para Pira, joelho, tíbia, costas).
Sofrimento e Penar
Treinei minha mente para sofrer. Fiz treinos onde sofri, principalmente de corrida. Meu objetivo era aumentar minha zona de DESconforto. Meu mantra foi “eu gosto de massagem, mas tenho que sofrer na prova, tentar ir mais rápido...”. Brincadeiras à parte, tem dado certo, o que nos leva ao próximo ponto...
Confiança
Estava mais confiante, tudo deu certo nos treinos. Prova é prova... mas era outra pinga, já não estava nas minhas mãos.
Confiante? Sim! Preparada? Nunca!
Mini Race Report
Viagem = tranquila, sem imprevistos. Tirando o Glau que alugou um carro em Joinville (fomos para Navegantes).
Tempo = frio na quinta à noite (tomei até vinho para esquentar), sexta MUITO frio e vento, sábado (dia da prova) MELHOR que sexta, mas ainda frio para mim. Ok, eu sou uma banana para frio.
Alimentação pré-prova = ok, dentro do planejado, sem imprevistos.
Sono pré-prova = idem (difícil eu não dormir – será que estava relaxada demais? Será que é melhor ficar mais preocupada? rsrsrsrs).
Natação = água muito fria, roupa de borracha larga... mas o tempo foi dentro do previsto.
T1 = neurônios congelados. Peguei aquela sacolinha e simplesmente não sabia o que fazer com ela, fiquei mega atrapalhada, resolvi colocar uma blusa para pedalar (friuuuuuu) e ela não entrava. Paracia que estava tentando sair de uma camisa de força.
Bike =estava ventando, mas eu já estava preparada para isso. Treinei para fazer em 3hs e mesmo fazendo força, fechei em 3h20 (dentro da margem de segurança de um dos meus planejamentos). Senti uma dor na coxa direita, logo no comecinho (na verdade, senti esta perna na natação – quando “lembrava” de batê-las), mas fui alternando a posição e não chegou a atrapalhar. Ah... e vamos combinar, NÃO vale vácuo.
T2 = por conta do desastre na T1, fui mentalizando a T2 para tentar ir mais rápido.... KKK... coitada! Parei na frente das sacolinha, abri, olhei olhei olhei... (não tinha nada demais, meus géis, meu tênis e só), aí o staff veio me avisar que eu tinha que ir para a tenda... “ah é”. Daí resolvi fazer xixi e só então... sair para correr.
Corrida = aqui o bicho pegou... de novo! Apesar de bons treinos, de transições realmente muito boas, me senti muito mal na corrida. Já saí com o batimento lá em cima e correndo abaixo do ritmo programado. Pensei que talvez fosse o frio, tenho asma e demoro para encaixar com temperaturas mais baixas, mas não. Fui em um ritmo lastimável do qual não consegui nem aumentar, e nem precisei diminuir –rs. Simplesmente não encaixou. Porém, ao contrário de Pira, a cabeça não foi o problema. Estava satisfeita com a prova e com tudo até ali, sabia que estava mal e que não tinha muito o que fazer... a não ser aproveitar e me colocar uma única condição: não andar (terminar eu sabia que terminaria... e melhor, viva - rs).
“Para saber se a água de um balde está quente ou fria, deve-se meter a mão no balde. De nada servirá a discussão, por mais brilhante que possa ser” – Sabedoria Zen
Olha a diferença entre o pensamento oriental e ocidental.
Um mais voltado para mensurações, o tangível, e o outro mais zen...
Eu, aos 45 do segundo tempo, fiz meu planejamento de prova, de tempos, de alimentação, de viagem. E mais... planejei o depois. Sim sim, eu ia parar, mas ganhei uma curta carência e fecharei 2012 triatlética, cheia de planos e provas.
Caderneta
Eu amo cadernos, caderninhos e afins. Adoro escrever à lápis (não que isso tenha alguma coisa a ver...). Para Pira, eu comprei um especial e lá anotei tudo o que tinha que fazer, de quanto em quanto tempo comer, o que fazer 2 dias antes, etc. E foi o que foi. Por curiosidade, quantifiquei (tb amo estatística, principalmente aquelas que não indicam nada, preciso parar com isto antes mesmo de deixar de treinar, pois isso sim vai me deixar louca) e pasmem.... 45% saiu de acordo com o planejado. Ok, várias justificativas para defender o planejamento, realmente ocorreram imprevistos graves na bike e a corrida foi.... hum... difícil (hehe).
Para Penha, fiz uma tosca planilha de Excel. Faltou glamour e tempo. Em compensação, mais experiente, desenhei 3 cenários: o Paraíso, o Realista, o Aceitável.
Qualidade e Bem Estar
Tenho a sensação de que treinei menos e com mais qualidade. “Treinei menos” é heresia, talvez “descansei mais” seja o termo adequado. Tirando as dores e a quebradeira normal de treino, não tive problemas na minha preparação (como tive para Pira, joelho, tíbia, costas).
Sofrimento e Penar
Treinei minha mente para sofrer. Fiz treinos onde sofri, principalmente de corrida. Meu objetivo era aumentar minha zona de DESconforto. Meu mantra foi “eu gosto de massagem, mas tenho que sofrer na prova, tentar ir mais rápido...”. Brincadeiras à parte, tem dado certo, o que nos leva ao próximo ponto...
Confiança
Estava mais confiante, tudo deu certo nos treinos. Prova é prova... mas era outra pinga, já não estava nas minhas mãos.
Confiante? Sim! Preparada? Nunca!
Mini Race Report
Viagem = tranquila, sem imprevistos. Tirando o Glau que alugou um carro em Joinville (fomos para Navegantes).
Tempo = frio na quinta à noite (tomei até vinho para esquentar), sexta MUITO frio e vento, sábado (dia da prova) MELHOR que sexta, mas ainda frio para mim. Ok, eu sou uma banana para frio.
Sono pré-prova = idem (difícil eu não dormir – será que estava relaxada demais? Será que é melhor ficar mais preocupada? rsrsrsrs).
Natação = água muito fria, roupa de borracha larga... mas o tempo foi dentro do previsto.
Bike =estava ventando, mas eu já estava preparada para isso. Treinei para fazer em 3hs e mesmo fazendo força, fechei em 3h20 (dentro da margem de segurança de um dos meus planejamentos). Senti uma dor na coxa direita, logo no comecinho (na verdade, senti esta perna na natação – quando “lembrava” de batê-las), mas fui alternando a posição e não chegou a atrapalhar. Ah... e vamos combinar, NÃO vale vácuo.
Corrida = aqui o bicho pegou... de novo! Apesar de bons treinos, de transições realmente muito boas, me senti muito mal na corrida. Já saí com o batimento lá em cima e correndo abaixo do ritmo programado. Pensei que talvez fosse o frio, tenho asma e demoro para encaixar com temperaturas mais baixas, mas não. Fui em um ritmo lastimável do qual não consegui nem aumentar, e nem precisei diminuir –rs. Simplesmente não encaixou. Porém, ao contrário de Pira, a cabeça não foi o problema. Estava satisfeita com a prova e com tudo até ali, sabia que estava mal e que não tinha muito o que fazer... a não ser aproveitar e me colocar uma única condição: não andar (terminar eu sabia que terminaria... e melhor, viva - rs).
segunda-feira, 18 de julho de 2011
LE TOUR DE GLAU
Ontem acordei preguiçosamente as 9h30.
A programação era a seguinte: tomar um café da manhã de atleta na padaria, digerir o café assistindo o Tour de France, almoçar um almoço de atleta, digeri-lo fazendo qualquer coisa (uma soneca, quem sabe), e sair para um giro de corrida, lá pelas 15h30.
Quando meu marido (Glau) retornou de suas andanças, o Tour tinha acabado de acabar e eu já estava entrando numa soneca boa no sofá, mas acordei e logo peguei minha check list. Constatei: hora de almoçar! O Glau ponderou “por que não correr agora? Estou sem fome nenhuma e já tiramos isto da frente”. Eu estava com fome. Além disto, meu café da manhã de atleta não era suficiente, minha reserva de gel se foi sem ser reabastecida... que fazer? Abri a geladeira e vi que tínhamos 1 pedaço de pizza de atum... hum delícia... comi.
Alonguei, olhei o tempo, nem frio nem calor, ótimo! Qual percurso? Ele imediatamente definiu “Imigrantes – Anchieta” (Servidei Demarchi / Estrada do Batistini – SBC). Bem, percurso difícil, 11 km que valem por 15, já que as subidas são muito duras. Eu topo! E estamos perto de casa, caso a pizza vire revertério, eu tinha para onde correr (de volta para casa, literalmente).
Eu já sou conhecedora deste caminho: “Glau, é melhor seguirmos sentido Anchieta primeiro, é plano e aquecemos bem. Ir direto para Imigrantes significa aquecer na ladeira mais dura”. Neste momento, o Glau com feição muito séria, de quem sabe o que faz, pediu um voto de confiança – “Vamos para a Imigrantes, vem nimim”. Claro que eu dei meu voto, pedindo assim! E lá vamos nós, sentido Imigrantes. Iniciou-se o que futuramente será conhecido como Le Tour de Glau.
Ele corre infinitamente mais rápido que eu, mesmo eu treinando infinitamente mais que ele (maldito!), mas segurou bem o ritmo para me acompanhar. Sobe, desce, sobe, desce. Ele mantendo-se sempre a uns 30 mts na minha frente. Chegamos na interligação e ele segue em direção a Imigrantes mesmo, para a estrada. Para minha surpresa de motorista, que não repara bem no caminho, este trecho é MUITO íngreme, gente, é uma subida daquelas que vc inclina o corpo e vai na ponta do pé! Eu comecei a querer xingá-lo, quando entramos na Imigrantes mesmo.
O barulho dos carros, caminhões, etc é muito alto. E a adrenalina, o medo? ? Comecei a me sentir estranha, a boca começou a secar, quando então começamos a... tchanam... subir. Cara, são 1,5 km de subida sem sair de cima. Ai vendo aquele morro lá em cima e a cabeça meio borrada (efeito asfalto/calor) do meu cônjuge, comecei a gritar “Glaaaaaucus”. Claro que ele não ouvia, parecia até acelerar mais. De repente ele dá aquela olhadinha e eu abro os braços, como quem diz “Até onde vamos? ? ? ?”. Ele parou. Quando o alcancei e consegui fazer a pergunta que estava me matando de curiosidade, ele respondeu sorridente “vamos até a primeira saída, entramos “por dentro” e vamos sair lá na Brasul (perto da nossa casa), vai dar uns 15 km”. Eu devia ter desconfiado, na verdade eu desconfiei, mas não quis dar uma de chata e fui com uma condição: “Preciso tomar água”, foi o que eu disse, assim, verbalmente. Nas entrelinhas, estava dizendo “vc é o macho provedor fdp responsável pela minha sobrevivência neste momento, vá dar um jeito de me arranjar água”. Ele leu nas entrelinhas e avistou um posto de gasolina. Como ele estava um pouquinho na minha frente, foi na direção do banheiro e entrou direto no masculino. Eu fiquei lá fora esperando ele sair, para pegar o dinheiro e comprar uma água na conveniência. Quando ele saiu, me olhou espantado: “já bebeu? ? ? ?”. Hein? ? “Já bebeu água na torneira do banheiro feminino? ?”. A desconfiança virou certeza, sim eu estava na maior roubada. Bebi água na pia do banheiro, rezando para não pegar nenhuma doença intergaláctica, mas não reclamei.
O caminho “por dentro” se revelou aquilo que vocês já devem estar imaginando: um sobe e desce com ladeiras dignas deste post de bem mais que 140 caracteres. Eu pensei: “minha vingança vai ser não desistir, ele deve estar morrendo de vontade que eu sente, chore e peça um taxi. Vamos lá Carol, vc vai até o fim”.
A cada início de subida, o Glau dava aquela olhadinha para trás, com cara de cachorro quando faz coisa errada, e me mandava um sorrisinho travesso. Nesta altura eu me dei conta de que nem ele imaginava que seria aquilo. E o pior, comecei a achar que ele não sabia direito onde estava. Tive certeza quando chegamos na praça que fica entre a Kennedy e a João Firmino, ou seja, bem longe da Brasul.
Paramos para beber água no tanque de lavar roupas, no posto da PM. A esta altura já doía até o terceiro olho e o ritmo, que até que estava bom (acho que adrenalina), caiu bastante. Continuamos, entramos na Anchieta (mais medo), entramos na Servidei novamente e fim, casa!
Quando acabou, minha vontade era xingar, mas estava cansada e a situação do dito cujo tb não era muito diferente, deu dó. Foram 2hs de corrida (contando as 2 paradas, que devem ter dado uns 5 min). A kilometragem ttl não sabemos, precisa medir com carro. Ou não, podemos inventar uma na hora de contar a história... dizer que foram 25km, ou 31... sei lá.
De qualquer forma, dado o período festivo que o ciclismo vive hoje (e pedindo uma licença poética já que não fomos de bike), patenteamos o percurso como Le Tour de Glau. Eu já devia saber que vindo do meu cangaceirinho predileto, fácil não ia ser.
A programação era a seguinte: tomar um café da manhã de atleta na padaria, digerir o café assistindo o Tour de France, almoçar um almoço de atleta, digeri-lo fazendo qualquer coisa (uma soneca, quem sabe), e sair para um giro de corrida, lá pelas 15h30.
Quando meu marido (Glau) retornou de suas andanças, o Tour tinha acabado de acabar e eu já estava entrando numa soneca boa no sofá, mas acordei e logo peguei minha check list. Constatei: hora de almoçar! O Glau ponderou “por que não correr agora? Estou sem fome nenhuma e já tiramos isto da frente”. Eu estava com fome. Além disto, meu café da manhã de atleta não era suficiente, minha reserva de gel se foi sem ser reabastecida... que fazer? Abri a geladeira e vi que tínhamos 1 pedaço de pizza de atum... hum delícia... comi.
Alonguei, olhei o tempo, nem frio nem calor, ótimo! Qual percurso? Ele imediatamente definiu “Imigrantes – Anchieta” (Servidei Demarchi / Estrada do Batistini – SBC). Bem, percurso difícil, 11 km que valem por 15, já que as subidas são muito duras. Eu topo! E estamos perto de casa, caso a pizza vire revertério, eu tinha para onde correr (de volta para casa, literalmente).
Eu já sou conhecedora deste caminho: “Glau, é melhor seguirmos sentido Anchieta primeiro, é plano e aquecemos bem. Ir direto para Imigrantes significa aquecer na ladeira mais dura”. Neste momento, o Glau com feição muito séria, de quem sabe o que faz, pediu um voto de confiança – “Vamos para a Imigrantes, vem nimim”. Claro que eu dei meu voto, pedindo assim! E lá vamos nós, sentido Imigrantes. Iniciou-se o que futuramente será conhecido como Le Tour de Glau.
Ele corre infinitamente mais rápido que eu, mesmo eu treinando infinitamente mais que ele (maldito!), mas segurou bem o ritmo para me acompanhar. Sobe, desce, sobe, desce. Ele mantendo-se sempre a uns 30 mts na minha frente. Chegamos na interligação e ele segue em direção a Imigrantes mesmo, para a estrada. Para minha surpresa de motorista, que não repara bem no caminho, este trecho é MUITO íngreme, gente, é uma subida daquelas que vc inclina o corpo e vai na ponta do pé! Eu comecei a querer xingá-lo, quando entramos na Imigrantes mesmo.O barulho dos carros, caminhões, etc é muito alto. E a adrenalina, o medo? ? Comecei a me sentir estranha, a boca começou a secar, quando então começamos a... tchanam... subir. Cara, são 1,5 km de subida sem sair de cima. Ai vendo aquele morro lá em cima e a cabeça meio borrada (efeito asfalto/calor) do meu cônjuge, comecei a gritar “Glaaaaaucus”. Claro que ele não ouvia, parecia até acelerar mais. De repente ele dá aquela olhadinha e eu abro os braços, como quem diz “Até onde vamos? ? ? ?”. Ele parou. Quando o alcancei e consegui fazer a pergunta que estava me matando de curiosidade, ele respondeu sorridente “vamos até a primeira saída, entramos “por dentro” e vamos sair lá na Brasul (perto da nossa casa), vai dar uns 15 km”. Eu devia ter desconfiado, na verdade eu desconfiei, mas não quis dar uma de chata e fui com uma condição: “Preciso tomar água”, foi o que eu disse, assim, verbalmente. Nas entrelinhas, estava dizendo “vc é o macho provedor fdp responsável pela minha sobrevivência neste momento, vá dar um jeito de me arranjar água”. Ele leu nas entrelinhas e avistou um posto de gasolina. Como ele estava um pouquinho na minha frente, foi na direção do banheiro e entrou direto no masculino. Eu fiquei lá fora esperando ele sair, para pegar o dinheiro e comprar uma água na conveniência. Quando ele saiu, me olhou espantado: “já bebeu? ? ? ?”. Hein? ? “Já bebeu água na torneira do banheiro feminino? ?”. A desconfiança virou certeza, sim eu estava na maior roubada. Bebi água na pia do banheiro, rezando para não pegar nenhuma doença intergaláctica, mas não reclamei.
O caminho “por dentro” se revelou aquilo que vocês já devem estar imaginando: um sobe e desce com ladeiras dignas deste post de bem mais que 140 caracteres. Eu pensei: “minha vingança vai ser não desistir, ele deve estar morrendo de vontade que eu sente, chore e peça um taxi. Vamos lá Carol, vc vai até o fim”.
A cada início de subida, o Glau dava aquela olhadinha para trás, com cara de cachorro quando faz coisa errada, e me mandava um sorrisinho travesso. Nesta altura eu me dei conta de que nem ele imaginava que seria aquilo. E o pior, comecei a achar que ele não sabia direito onde estava. Tive certeza quando chegamos na praça que fica entre a Kennedy e a João Firmino, ou seja, bem longe da Brasul.
Paramos para beber água no tanque de lavar roupas, no posto da PM. A esta altura já doía até o terceiro olho e o ritmo, que até que estava bom (acho que adrenalina), caiu bastante. Continuamos, entramos na Anchieta (mais medo), entramos na Servidei novamente e fim, casa!
Quando acabou, minha vontade era xingar, mas estava cansada e a situação do dito cujo tb não era muito diferente, deu dó. Foram 2hs de corrida (contando as 2 paradas, que devem ter dado uns 5 min). A kilometragem ttl não sabemos, precisa medir com carro. Ou não, podemos inventar uma na hora de contar a história... dizer que foram 25km, ou 31... sei lá.
De qualquer forma, dado o período festivo que o ciclismo vive hoje (e pedindo uma licença poética já que não fomos de bike), patenteamos o percurso como Le Tour de Glau. Eu já devia saber que vindo do meu cangaceirinho predileto, fácil não ia ser.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
BIKESONTERAPIA
Injúria e melancolia. Além de tudo, como se não bastasse, TUDO, sintomas de gripe.

Justo agora que eu não posso ficar gripada. Descansar? Pensei “não, se for para ficar doente, então que fique logo, vou treinar”. Saí do escritório com uma garoa fina comendo. É melhor não arriscar tanto e treinar no rolo.
Musiquinha ou DVD? Será que está passando reprise do Tour de hoje? Ah, musiquinha é melhor. Mas tem que ser O SOM, porque estou precisando de terapia. Musicoterapia? Hum, clichê demais. Roloterapia... meio pornô.... bikesomterapia é melhor!
Aquecimento
Primeiro som foi Concrete Blonde, álbum Mexicam Moon. Comecei pedalando bem leve com “I call it love”– “some call you Allah, some call you God, some call you Buda, I call you Love, some call you power come from above, some call you Jesus, I call you Love”. O clima piscoldélico que esta música tem e o fato da Johnette Napolitano ser metida com umas bruxarias fez deste momento uma espécie de pedido de benção para meu treino. Uma reza pedindo autorização para andar por alamedas mais selvagens...
Continuei com “Bajo la luna mexicana”, do mesmo disco. Pensei em voltar a tocar e aprender esta música no violão. O refrão é colento e dramático “Thinking of you under de mexican moonligth”.
Ainda pedalando leve, mas ofegante por conta da gripe e da cantoria, pensei em ouvir algo mais sombrio, lembrei de Evanescence, um som “meio assim suspeito” - rs, mas que eu já ouvi e gostei em um passado recente. Começou “Going Under” e no segundo verso a moça cantou “chorei 50 mil lagrimas”. Lembrei do Matheus, meu afilhado de 5 anos, que estes dias disse para a avó que queria ficar “mil dias” na casa dela. A pergunta veio na hora: de onde é que surgem certos números? ? ? ? AH... da cabeça das pessoas! Sei...
Ah, para quem quer que interesse, sim eu estava pedalando. O ritmo já estava encaixado mas o som não estava rolando. Ihh, Evanescense não dá.... talvez eu tenha ido demais para trevas. Que tal algo mais hard rock, mas que esteja no meu mood?
Gira estas pernas menina!
“Nigthtrain” – Guns. Ah, eu gosto muito de Guns, fazer o que? “I never learn, I´m on the nigthtrain”.
Sem nenhum sintoma de gripe, no ponto, acelerei mais um pouco. Precisava de algo a altura. “Holly Wars” – Megadeth. Levei para o pessoal: “because I don´t say it, don´t mean I aint thinking it / the next thing, you know, they´ll take my thoughts away”. A média aumentou e eu cansei um pouco.
Lenta e pesada!
Na sequência “In my darkest hour” - ainda Megadeth. Aproveitei para colocar mais peso no pedal e acompanhar a cadência lenta da música e... cantei alto. Lembrei da minha mãe, que sempre ouve um cantor e diz “ah meus 15 anos” (não lembro o nome do cantor, acho que é Jonny Rivers, é aquele que canta “Do you wanna dance and hold my hand, tell me that I´m your man...”).
Para continuar fazendo força, “I just want you” - Ozzy – “There are no unachievable goals / There are no unsaveable souls / No legitimate kings or queens / Do you know what I mean?” Sim sim, eu sei o que você quer dizer!
O príncipe das trevas me presenteia com mais uma “Ghost behind my eyes”, um hino da esquizofrenia ou, em palavras mais amenas, uma reflexão para aqueles momentos onde nosso diabinho domina nosso anjinho. “I can´t see through you, you are the ghost behind my eyes, the ghost that tells me lies”.
Protesto! Mil vezes protesto!!
Voltei para cadencias mais altas com “Mr. Integrity” – L7. Ri quando ouvi “I´m not the enemy / Please don´t preach to me Mr. Integrity”. RÁ!
Eu protesto! “Ideologia” – Cazuza… meu sex and drugs não tem nenhum rock´n roll.
Desaquecendo em grande estilo...
... porém um outro estilo.
Uma das coisas mais bacanas de treinar é o “barato pós treino” (mesmo quando morremos de cansaço). Pois bem, no auge do meu drama, já curtindo os sintomas pós-treino, coloco “Freedom 90” – George Michael – o bola gato man!!!! A música toda foi uma sessão descarrego das bravas. Eu não pertenço à você, e você não me pertence. E quase em transe encarnei uma espécie de Sir William Wallace no Tour de France, abri os braços sobre a bicicleta e gritei “Freedom /Freedom/Freedom”.
A última das últimas foi “What´s going on?” – 4 non blondes. Gritei com toda a força dos meus pulmões “O que está acontecendo?”, eu e a banda de uma música só (e um cover do Led – rs), provando que TPM + INA (endorfina, adrenalina...) = coisas inacreditíveis.
Me deu até vontade de escrever no blog. Aqui estou, de cuca fresca, terapia feita.

Justo agora que eu não posso ficar gripada. Descansar? Pensei “não, se for para ficar doente, então que fique logo, vou treinar”. Saí do escritório com uma garoa fina comendo. É melhor não arriscar tanto e treinar no rolo.
Musiquinha ou DVD? Será que está passando reprise do Tour de hoje? Ah, musiquinha é melhor. Mas tem que ser O SOM, porque estou precisando de terapia. Musicoterapia? Hum, clichê demais. Roloterapia... meio pornô.... bikesomterapia é melhor!
Aquecimento
Primeiro som foi Concrete Blonde, álbum Mexicam Moon. Comecei pedalando bem leve com “I call it love”– “some call you Allah, some call you God, some call you Buda, I call you Love, some call you power come from above, some call you Jesus, I call you Love”. O clima piscoldélico que esta música tem e o fato da Johnette Napolitano ser metida com umas bruxarias fez deste momento uma espécie de pedido de benção para meu treino. Uma reza pedindo autorização para andar por alamedas mais selvagens...
Continuei com “Bajo la luna mexicana”, do mesmo disco. Pensei em voltar a tocar e aprender esta música no violão. O refrão é colento e dramático “Thinking of you under de mexican moonligth”.
Ainda pedalando leve, mas ofegante por conta da gripe e da cantoria, pensei em ouvir algo mais sombrio, lembrei de Evanescence, um som “meio assim suspeito” - rs, mas que eu já ouvi e gostei em um passado recente. Começou “Going Under” e no segundo verso a moça cantou “chorei 50 mil lagrimas”. Lembrei do Matheus, meu afilhado de 5 anos, que estes dias disse para a avó que queria ficar “mil dias” na casa dela. A pergunta veio na hora: de onde é que surgem certos números? ? ? ? AH... da cabeça das pessoas! Sei...
Ah, para quem quer que interesse, sim eu estava pedalando. O ritmo já estava encaixado mas o som não estava rolando. Ihh, Evanescense não dá.... talvez eu tenha ido demais para trevas. Que tal algo mais hard rock, mas que esteja no meu mood?
Gira estas pernas menina!
“Nigthtrain” – Guns. Ah, eu gosto muito de Guns, fazer o que? “I never learn, I´m on the nigthtrain”.
Sem nenhum sintoma de gripe, no ponto, acelerei mais um pouco. Precisava de algo a altura. “Holly Wars” – Megadeth. Levei para o pessoal: “because I don´t say it, don´t mean I aint thinking it / the next thing, you know, they´ll take my thoughts away”. A média aumentou e eu cansei um pouco.
Lenta e pesada!
Na sequência “In my darkest hour” - ainda Megadeth. Aproveitei para colocar mais peso no pedal e acompanhar a cadência lenta da música e... cantei alto. Lembrei da minha mãe, que sempre ouve um cantor e diz “ah meus 15 anos” (não lembro o nome do cantor, acho que é Jonny Rivers, é aquele que canta “Do you wanna dance and hold my hand, tell me that I´m your man...”).
Para continuar fazendo força, “I just want you” - Ozzy – “There are no unachievable goals / There are no unsaveable souls / No legitimate kings or queens / Do you know what I mean?” Sim sim, eu sei o que você quer dizer!
O príncipe das trevas me presenteia com mais uma “Ghost behind my eyes”, um hino da esquizofrenia ou, em palavras mais amenas, uma reflexão para aqueles momentos onde nosso diabinho domina nosso anjinho. “I can´t see through you, you are the ghost behind my eyes, the ghost that tells me lies”.
Protesto! Mil vezes protesto!!
Voltei para cadencias mais altas com “Mr. Integrity” – L7. Ri quando ouvi “I´m not the enemy / Please don´t preach to me Mr. Integrity”. RÁ!
Eu protesto! “Ideologia” – Cazuza… meu sex and drugs não tem nenhum rock´n roll.
Desaquecendo em grande estilo...
... porém um outro estilo.
Uma das coisas mais bacanas de treinar é o “barato pós treino” (mesmo quando morremos de cansaço). Pois bem, no auge do meu drama, já curtindo os sintomas pós-treino, coloco “Freedom 90” – George Michael – o bola gato man!!!! A música toda foi uma sessão descarrego das bravas. Eu não pertenço à você, e você não me pertence. E quase em transe encarnei uma espécie de Sir William Wallace no Tour de France, abri os braços sobre a bicicleta e gritei “Freedom /Freedom/Freedom”.
A última das últimas foi “What´s going on?” – 4 non blondes. Gritei com toda a força dos meus pulmões “O que está acontecendo?”, eu e a banda de uma música só (e um cover do Led – rs), provando que TPM + INA (endorfina, adrenalina...) = coisas inacreditíveis.
Me deu até vontade de escrever no blog. Aqui estou, de cuca fresca, terapia feita.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
25 KM MARATONA SP
Tenho competido menos este ano. É uma estratégia para focar mais os treinos para a prova de agosto e também economizar um pouco os gastos com Triathlon.No ano passado, quando estava me preparando para Pirassununga, queria muito ter encaixado uma prova de meia-maratona mas não consegui.
No planejamento deste ano, escolhi como prova-treino os 25km que acontecem junto com a Maratona de São Paulo. Isto resolveria 2 questões: 1) treino longo de corrida; 2) poder responder "sim, eu estava lá!!!". Isto porque todos os anos, depois desta prova, as pessoas do meu convívio me param para dizer que lembraram de mim quando viram a prova na TV, perguntam se eu estava lá, e todo ano eu digo "NÃO, não sou maratonista, sou triatleta, faço provas mais curtas, etc, etc...". O mesmo acontece na época da São Silvestre. Este ano vou responder diferente - rs!!!
Em relação à preparação, nada especial para esta prova, fiz mais volume no início do ano mas minhas últimas planilhas estavam mais focadas em velocidade. Não corri mais que 15km, o que me deixou apreensiva.
Não descansei já que a idéia não era ir correr zerada. Treinei normalmente e no sábado, fiz meu treino de natação + pedal. De noite, fui "jantada" a um casamento e 10h30 já estava na cama.
Eu me acostumei demais ao ambiente das provas de triathlon, já não faço corridas de rua ha muito tempo. Por isto, estava um pouco "de bode" com a correria que teríamos que fazer para chegar na prova, mas para minha surpresa tudo correu bem: chegamos no tempo ideal (nem muito antes, nem muito em cima da hora), o guarda volumes estava organizado, muita muita gente, mas o clima estava bom.
Saímos eu e a Claudia com o objetivo de segurar no começo da corrida e forçar depois dos 15km. Saímos bem lentas por conta da muvuca, nós duas e o Zé. No 6º km, nos despedimos dele (que correria 10) e de boa parte da multidão. Aí sim, conseguimos desenvolver e controlar nosso tempo, a pista estava livre. Me engasguei no primeiro gel, o que me lembrou que ainda tenho dificudades para comer/beber durante a corrida (um ponto a ser corrigido). No 12º km, encontramos com os homens da elite passando pelos 21, muito lindo de ver, a galera grintando o nome do Frank Caldera, me deu um grande ânimo pensar que estava participando de um momento destes. Nestas alturas, comecei a sentir a musculatura da coxa arder. Pensei, "normal, é do pedal de ontem". Também pensei que pudesse ser a mecânica, que fica diferente quando corremos em um ritmo mais lento. Prestei mais atenção nos movimentos (foi um lembra/esquece até o final da prova). Um pouco afrente, passamos por uma banda, destas que os organizadores gostam de colocar no percurso. O som era "Alagados" do Paralamas. Porém o cantor estava aparentemente bêbado, e mandou um "alagados, FRINSFRAUUUU, favela da maré". Eu e a Claudia rachamos, e até diminuimos um pouco para ouvir ele cantar de novo (mas ele não cantou, mandou para a galera - ahhh).
Bom, já no km 16 o ardor da musculatura já tinha evoluído para dor mesmo, mas me lembrei do "filósofo" Macca: "quando começar a doer, é porque está acabando". Bem, faltavam mais 9km... é, estava acabando. Lá pelo 20, virou fadiga mesmo e no 22, o ritmo caiu bem, mas aí eu já estava feliz, na USP, perto da chegada. Até tentei dar um gás, o corpo respondeu... mas comecei a sentir um formigamento estranho, que nunca tinha sentido antes, e achei melhor não arriscar.
Passa a régua. Adorei esta corrida, não pelo evento em si, mas por como me senti nestes 25km. Eu e a Claudia fizemos um ritmo muito bom no meio da corrida, fiquei orgulhosa por isto, mesmo que tenhamos "quebrado" no fim, o que nesta altura do treinamento considero normal. Minha atitude foi positiva em toda a prova, principalmente depois dos 16km. Lidei muito bem com minhas dores e fadiga, porque sabia que elas viriam e me preparei. Quando a dor chegou, eu disse "ah, estava te esperando, me acompanhe neste mesmo ritmo e vamos juntas até o final", não fiquei negando e nem diminuí para ver se ela ia embora.
Terminada a prova, foi um perrengue conseguir um taxi para voltarmos para casa, não conseguimos. O jeito foi recorrer ao Santo Glaucus, que foi nos buscar.
Enquanto esperávamos, liguei para minha mãe, avisando que não me esperasse para o tradicional almoço de domingo. Ela me perguntou onde eu estava, eu disse "correndo em São Paulo" (somos do ABC, SP para ela é como se fosse outro país, muito longe), ela perguntou "ganhou troféu?", eu disse "não, é uma corrida com mais de sei lá quantas mil pessoas, não tem troféu" (não que me falte talento para isto mamãe - rs - falta troféu mesmo), ela "é esta que está passando na TV?", eu "essa mesmo", ela "eu disse pro seu pai que vc estava ai!!!!"
É mãe, eu estava lá!
sábado, 21 de maio de 2011
TRI & MASSA
Triathlon & Massa (tv de massa, música de massa, jantar de massas, e etc)
de tudo um pouco
O tempo passa, voa, e a rotina trabalho/esporte/social continua numa boa...
É... quase... a rotina está pesada, um típico se vira nos 30.
Eu, que estou super acostumada a fazer mil coisas ao mesmo tempo... tô arreando as rodinhas. Ô loco meu!
Escrever no blog está sendo prioridade nº 100... (não que eu achei isso legal, mas no momento não estou podendo prometer o que não irei cumprir).
Por estes dias, até em show de rock eu fui, coisa que não faço ha um bom tempo. Na ocasião, fui dormir 1h30, alta madrugada.
OBS: Putza show, que minha família setentista não me ouça falar isto.... sou grunge/metal até morrer - rsrsrsrs. Mas e os sambas/forrós e pop que tenho ouvido nestes últimos 15 anos...??? abafa!!!
Enfim, minha vida está um fast food de massa do shopping: 10 ingredientes diversos que não combinam entre si... camarão com palmito com molho branco com ervilhas com manjericão... o sabor pode não ser lá essas coisas, só que onde mais você poderia usufruir tal iguaria?

flores e dores!
Voltei a fazer volumes mais altos nos treinos.
Primeira semana, impressão: delícia, acho que me acostumei com isto, Penha aí vou eu..."Issaaaa, saúde é o que interessa, o resto não tem pressa, yeah yeah, IIIIIIIIISSAAAAA!!!".
Segunda semana: legal, tá bom... vamos lá, rotina, regularidade, vida normal.
Terceira semana: ai meu Jesuisim Cristim, já me achou aqui de novo, larga deu homi! Fiz um pedal um dia desses e passei 10km dos 100 que tinha que pedalar, pasmei em cima da bike, perdi a noção do tempo e do espaço. Não recuperei durante a semana, me arrastei, fiz treinos que não renderam.
de tudo um pouco
O tempo passa, voa, e a rotina trabalho/esporte/social continua numa boa...
É... quase... a rotina está pesada, um típico se vira nos 30.
Eu, que estou super acostumada a fazer mil coisas ao mesmo tempo... tô arreando as rodinhas. Ô loco meu!
Escrever no blog está sendo prioridade nº 100... (não que eu achei isso legal, mas no momento não estou podendo prometer o que não irei cumprir).
Por estes dias, até em show de rock eu fui, coisa que não faço ha um bom tempo. Na ocasião, fui dormir 1h30, alta madrugada.
OBS: Putza show, que minha família setentista não me ouça falar isto.... sou grunge/metal até morrer - rsrsrsrs. Mas e os sambas/forrós e pop que tenho ouvido nestes últimos 15 anos...??? abafa!!!
Enfim, minha vida está um fast food de massa do shopping: 10 ingredientes diversos que não combinam entre si... camarão com palmito com molho branco com ervilhas com manjericão... o sabor pode não ser lá essas coisas, só que onde mais você poderia usufruir tal iguaria?

flores e dores!
Voltei a fazer volumes mais altos nos treinos.
Primeira semana, impressão: delícia, acho que me acostumei com isto, Penha aí vou eu..."Issaaaa, saúde é o que interessa, o resto não tem pressa, yeah yeah, IIIIIIIIISSAAAAA!!!".
Segunda semana: legal, tá bom... vamos lá, rotina, regularidade, vida normal.
Terceira semana: ai meu Jesuisim Cristim, já me achou aqui de novo, larga deu homi! Fiz um pedal um dia desses e passei 10km dos 100 que tinha que pedalar, pasmei em cima da bike, perdi a noção do tempo e do espaço. Não recuperei durante a semana, me arrastei, fiz treinos que não renderam.
Aguardem cenas do próximo capítulo!!!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O QUARTO RABINO, O POETA
"Os quatro rabinos
Uma noite quatro rabinos receberam a visita de um anjo que os acordou e os levou para a Sétima Abóbada do Sétimo Céu. Ali eles contemplaram a sagrada Roda de Ezequiel.
Em algum ponto da descida do Pardes, Paraíso, para a Terra, um rabino, depois de ver tanto esplendor, enlouqueceu e passou a perambular espumando de raiva até o final de seus dias. O segundo rabino teve uma atitude extremamente cínica. “Ah, eu só sonhei com a Roda de Ezequiel, só isso. Nada aconteceu de verdade”. O terceiro rabino falava incessantemente do que havia visto, demonstrando sua total obsessão. Ele pregava e não parava de falar do projeto da Roda e no que tudo aquilo significava... e dessa forma ele se perdeu e traiu sua fé. O quarto rabino, que era poeta, pegou um papel e uma flauta, sentou-se junto à janela e começou a compor uma canção depois da outra elogiando a pomba do anoitecer, sua filha no berço e todas as estrelas do céu. E daí em diante ele passou a viver melhor."
Não sou religiosa, não tenho idéia de onde fica o Sétimo Céu, se eram os deuses astronautas...
Ao ler esta história, minha cabeça fez uma associação imediata com o triathlon. Ok, não foi tão imediata, a associação veio quando cheguei na descrição do terceiro rabino. Não vou criticá-lo, pois, em algum momento, alguns mais outros menos, eu fiz e faço às vezes dele. Mas me chama atenção a atitude do quarto. Se superar nossos limites nos dá a sensação de que chegamos perto do divino, se o esporte nos dá disposição e felicidade para o cotidiano e nos faz encará-lo com mais determinação, então o esporte nos faz viver melhor...

Gostei desta história. O ponto não é se vc fica 10hs ou 30 min em cima da bike, e sim que tipo de atitude tomamos em relação ao esporte. O encaramos como meio para viver melhor? Perdemos o fio da meada tratando-o como obsessão? O tratamos com cinismo, dando menos importância do que realmente tem? Enlouquecemos? Quero me aproximar do quarto rabino, o poeta.
Uma noite quatro rabinos receberam a visita de um anjo que os acordou e os levou para a Sétima Abóbada do Sétimo Céu. Ali eles contemplaram a sagrada Roda de Ezequiel.
Em algum ponto da descida do Pardes, Paraíso, para a Terra, um rabino, depois de ver tanto esplendor, enlouqueceu e passou a perambular espumando de raiva até o final de seus dias. O segundo rabino teve uma atitude extremamente cínica. “Ah, eu só sonhei com a Roda de Ezequiel, só isso. Nada aconteceu de verdade”. O terceiro rabino falava incessantemente do que havia visto, demonstrando sua total obsessão. Ele pregava e não parava de falar do projeto da Roda e no que tudo aquilo significava... e dessa forma ele se perdeu e traiu sua fé. O quarto rabino, que era poeta, pegou um papel e uma flauta, sentou-se junto à janela e começou a compor uma canção depois da outra elogiando a pomba do anoitecer, sua filha no berço e todas as estrelas do céu. E daí em diante ele passou a viver melhor."
Não sou religiosa, não tenho idéia de onde fica o Sétimo Céu, se eram os deuses astronautas...
Ao ler esta história, minha cabeça fez uma associação imediata com o triathlon. Ok, não foi tão imediata, a associação veio quando cheguei na descrição do terceiro rabino. Não vou criticá-lo, pois, em algum momento, alguns mais outros menos, eu fiz e faço às vezes dele. Mas me chama atenção a atitude do quarto. Se superar nossos limites nos dá a sensação de que chegamos perto do divino, se o esporte nos dá disposição e felicidade para o cotidiano e nos faz encará-lo com mais determinação, então o esporte nos faz viver melhor...

Gostei desta história. O ponto não é se vc fica 10hs ou 30 min em cima da bike, e sim que tipo de atitude tomamos em relação ao esporte. O encaramos como meio para viver melhor? Perdemos o fio da meada tratando-o como obsessão? O tratamos com cinismo, dando menos importância do que realmente tem? Enlouquecemos? Quero me aproximar do quarto rabino, o poeta.
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